Bruce Lee não deixou sucessores

O que seria dos filmes de artes marciais sem o surgimento de Bruce Lee? Certamente o gênero não teria tamanha longevidade e sucesso de público. Talvez o que manteve o gênero ainda vivo nas telinhas foi justamente a expectativa do surgimento do sucessor de Bruce Lee, morto em 1973. Mas estamos em 2015, e até hoje, ninguém esteve à altura do pequeno dragão. Alguns chegaram perto de ter um reconhecimento semelhante, mas não souberam se manter no topo e se perderam. A maioria dos candidatos à sucessão fizeram mais de uma dezena de filmes e não conseguiram convencer o público ávido por outro ídolo nas artes marciais. Se bem que quem foi fã de Bruce Lee e acompanhou sua curta carreira, jamais iria admitir que alguém pudesse destroná-lo.

Bruce Lee deixou apenas quatro filmes de artes marciais concluídos e um inacabado. Anteriormente aos filmes produzidos em Hong Kong, ele foi protagonista da série de TV norte-americana “O Besouro Verde” (The Green Hornet) no final dos anos de 1960, fazendo o papel de Kato, o ágil e saltitante parceiro do Besouro Verde (Van Williams).

Após Bruce Lee ter co-estrelado com sucesso em “O Besouro Verde” e em outra série de TV chamada “Longstreet” (com James Franciscus) e na qual teve ótimas participações apenas nos dois primeiros capítulos, ele foi simplesmente vetado para o principal de “Kung Fu”, uma série para TV famosa e idealizada inicialmente para o próprio Lee, que foi substituído pelo canastrão David Carradine, que além de ser um ator medíocre usaria suas habilidades de ‘dançarino’ para enganar nas cenas de lutas nos episódios com uma discreta ajuda de dublês. Ficou evidente que era um típico caso de discriminação racial por parte dos produtores norte-americanos.

O primeiro filme de Bruce Lee produzido pelos estúdios de Hong Kong foi “O Dragão Chinês” (The Big Boss) de 1971. O filme foi filmado sob condições precárias numa vila na Tailândia. Com uma produção barata, a película só se salva pela performance de Bruce Lee. Sua técnica, explosão e velocidade nos golpes eram inéditos para um público acostumado com um cinema ‘pastelão’ de Kung Fu onde as lutas pareciam intermináveis e sem definição. Foi um enorme sucesso de público em Hong Kong.

O segundo filme, “A Fúria do Dragão” (Fist Of Fury) iniciado em 1971 e concluído em 1972, foi filmado em Hong Kong com uma produção melhor. Bruce (com moral) pôde interferir nas coreografias das lutas e contou com a participação de seu amigo e karateca Bob Baker, que interpretou um famoso lutador russo. Lee demonstra sua perícia com o nunchaku pela primeira vez nas telonas. Foi outro estrondoso sucesso em toda a Ásia. O personagem de Lee está furioso e obcecado para vingar o assassinato de seu mestre, sua fúria é transmitida ao público a cada golpe desferido contra os alunos de academia japonesa.

O terceiro filme, “O Vôo do Dragão” (The Way Of The Dragon) de 1972, Bruce Lee foi o responsável pelo roteiro, direção e coreografia das cenas de luta, além de ser o protogonista. Um dos trunfos do filme foi a participação de dois lutadores de artes marciais campeões dos EUA, Bob Wall e Chuck Norris, assim como da participação do coreano Wang Ing Sik (em coreano Hwang In-Sik), mestre de Tang Soo Doo. Neste filme Bruce protagoniza uma cena clássica utilizando dois nunchakus ao mesmo tempo. O clímax de “O Vôo do Dragão” é sem dúvida o duelo final entre Lee e Chuck Norris no coliseu em Roma, a coreografia da luta é tida como uma das mais belas já feitas no cinema. O filme é temperado com cenas de humor com as quais Bruce queria direcionar diretamente ao público asiático.
O quarto filme seria “O Jogo da Morte” (The Game Of Death), que foi começado a ser filmado ainda em 1972; era um projeto pessoal de Bruce Lee. A idéia central do enredo era demonstrar que todo artista marcial deveria se adaptar às circunstâncias mesmo que muito desfavoráveis. No filme o personagem de Lee teria que invadir um pagode de estilo coreano, e enfrentar em cada pavimento um adversário com um estilo de luta diferente. No esboço original Whang Ing Sik (mestre coreano Tang Soo Doo e de Hapkidô) guardaria o primeiro andar; Taki Kimura (amigo e aluno de Lee) guardaria o 2º andar; Dan Inosanto (mestre das armas brancas filipinas e amigo de Lee) ficaria com o 3º andar; Ji Han Jae (mestre introdutor do Hapkidô nos Eua) estaria no 4º andar; e finalmente o gigante Kareem Abdul Jabbar (profissional de basquete e ex-aluno de Lee) seria o último adversário no 5º andar. Ele chegou a deixar gravados alguns ensaios de lutas ainda não definitivos para o filme. Um dos confrontos que chegou às telas foi o que Bruce enfrenta seu parceiro filipino Danny Inosanto, que representava um mestre no nunchaku e bastões duplos. O duelo entre os dois com nunchakus é um clássico do gênero. O outro duelo exibido foi contra mais um amigo de treinamento, Han Jae Ji, mestre de Hapkidô responsável pela divulgação do estilo nos EUA. E para finalizar Lee enfrenta literalmente um grande obstáculo, o gigante Kareem Abdul Jabbar, de mais de 2 metros de altura. Jabbar foi aluno de Bruce Lee em Seattle e era campeão de basquete pelos Lakers nos EUA. A luta foi outra aula de técnica e criatividade de Bruce Lee. Mas Bruce não concluiu as filmagens, foi chamado às pressas para os EUA por Hollywood que acabou por se render ao talento do “pequeno dragão”, eles tinham um projeto mais ambicioso para Bruce Lee. ‘O Jogo da Morte” seria lançado oficialmente em 1978, com montagens absurdas, tais como closes de Lee em filmes anteriores, dublês e sósias de Bruce filmados com enormes óculos escuros encobrindo o rosto, filmagens em ângulos que dificultassem o close dos sósias, e atores que chegaram a contracenar com Bruce em outros trabalhos como Dan Inosanto e Bob Wall. Mas vale a pena ver pelas cenas finais originais com Lee trajando seu lendário macacão amarelo e enfrentado Dan Inosanto, Han Jae Ji e Kareen Abdul Jabbar. Anos mais tarde foi lançado um documentário chamado “A Jornada de um Guerreiro” (A Warrior’s Journey) que trata justamente deste projeto inacabado por Bruce Lee, com suas idéias e esboços para o filme, cenas inéditas de ensaios de lutas com outros participantes para “O Jogo da Morte”.

Mas foi “Operação Dragão” (Enter The Dragon) de 1973, que se tornou o quarto e definitivo filme de Bruce Lee. É até hoje considerado o clássico insuperável dos filmes de artes marciais. Bruce Lee era o protagonista mas teve que dividir o estrelato com os norte-americanos John Saxon e Jim Kelly. As cenas de luta foram todas coreografadas por Lee. John Saxon não se comprometeu, teve boa participação dentro de suas limitações como artista marcial; Jim Kelly com sua cabeleira black power, se destacou com seu karate nada ortodoxo, mas certamente graças à supervisão de Lee. No filme Bruce Lee dá uma demonstração jamais vista nas telas de manuseio de armas brancas, nunchaku, bastões filipinos, e bastão longo (bo). Outros participantes ilustres do filme como vilões, foram Bolo Yeung (como Bolo), praticante de Karatê; Sammo Hung (que fez a primeira cena de luta do filme contra Lee), o experiente em filmes de Kung Fu; Shih Kien (como Mr. Han), um ator veterano de Hong Kong e praticante de estilo tradicional de Kung Fu; e novamente Bob Wall (como O’Hara). “Operação Dragão” foi um sucesso sem igual, na Ásia, Europa e EUA, Bruce Lee estava consagrado. Mas Bruce não pôde usufruir desse sucesso em vida. Pouco antes do lançamento do filme, Lee falecia em 20 de julho de 1973, deixando um público enorme de fãs espalhados no mundo inteiro. Quem poderia imaginar que Bruce Lee iria morrer tão jovem?

Começou-se então a procura do sucessor do Rei do Kung Fu, vários surgiram de todos os cantos, a maioria tentando imitá-lo em vão. Até hoje se tenta achar alguém. É como tentar achar o novo Elvis Presley, o novo Muhammad Ali, o novo Pelé, o novo Jimi Hendrix, etc. Bruce sempre será a referência para se julgar algum artista marcial.

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Postado por: Vinícius Lee

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