Taky Kimura: O fiel guardião do legado de Bruce Lee

Mesmo após 42 anos após a morte de Bruce Lee, seu nome ainda gera muita polêmica, discussões, debates e estudos sobre sua controvertida personalidade. Mas se você tem alguma dúvida sobre quem realmente foi o verdadeiro Bruce Lee, basta recorrer à opinião de um homem com inquestionável caráter, um norte-americano de descendência japonesa que atende pelo nome de Taky Kimura. Ele foi um dos primeiros a apoiar Bruce Lee em seus projetos ambiciosos sobre artes marciais assim que ele (Bruce) pisou em solo norte-americano aos 18 anos de idade. Kimura está atualmente com 91 anos e um homem com tamanha longevidade, não permanece fiel à memória de alguém que se foi há mais de 40 anos se essa pessoa realmente não merecer tal dedicação e ter sido tão importante em sua vida. Assim presto através deste pequeno texto uma homenagem a este homem dedicado e perseverante que ainda está entre nós e que nos oferece um belo exemplo de fidelidade a uma amizade, um sentimento que hoje em dia está cada vez mais raro e desvalorizado.

Taky Kimura – Nascido em 1924 é considerado um dos dois alunos mais antigos de Bruce Lee, o outro seria Jesse Glover (falecido recentemente). Kimura foi realmente um dos amigos mais próximos de Bruce Lee desde o início da década de 1960 e um dos únicos a receber um certificado de instrutor do Instituto Jun Fan Gung Fu (que hoje tratam como Jeet Kune Do) diretamente de Lee. A vida de Taky Kimura não foi fácil, quando estava com 18 anos, os EUA haviam entrado na Segunda Guerra Mundial e por ser filho de Japoneses, Kimura foi confinado a um campo de concentração apesar de ser legalmente cidadão norte-americano. O confinamento impediu que Kimura concluísse sua formatura no ensino médio. Ao encerrar o conflito mundial em 1945, ele foi finalmente libertado no seguinte, mas se sentia humilhado, discriminado e não tinha mais nenhuma motivação. Sua situação em relação aos estudos era ainda mais grave porque sua família não tinha mais condições de custear sua educação universitária mesmo se ele resolvesse voltar a estudar. Mas com todas dificuldades a família abriu uma mercearia na cidade de Seattle, Washington.

As coisas começaram a mudar para Taky Kimura aos 35 anos (em 1959) quando conheceu um jovem chinês de 18 anos recém chegado de Hong Kong que se dizia chamar Bruce Lee. Kimura logo atraído pelo carisma e auto-determinação do jovem Bruce Lee se juntou a ele na primeira versão do Instituto Jun Fan Gung Fu (ou Instituto de Kung Fu Lee Jun Fan – nome chinês de Bruce Lee). A escola lecionava o “estilo interno” do sul da China conhecido como Wing Chun, que essencialmente tinha 70 % de técnicas com as mãos e 30% com os pés, sendo que os poucos golpes de pés eram da altura da cintura para baixo. Mas isso foi se modificando aos poucos à medida que Bruce Lee se relacionava com lutadores de outros estilos dentro e fora da comunidade chinesa de Seattle, levando-o a incorporar técnicas de outros estilos de kung fu e passando a utilizar também os chutes altos mais vistosos, mas isso é assunto para outro artigo.

Taky Kimura viu no jovem Bruce Lee uma segunda chance em sua vida, assim passou a ser seu assistente direto e amigo íntimo. Kimura cedeu o porão da mercearia do família para ser a primeira sede do Instituto Jun Fan Gung Fu e entregou-se totalmente aos ensinamentos técnicos e filosóficos do jovem Bruce Lee que lhe valeram por toda vida, fazendo com que recuperasse a auto-estima e tivesse um objetivo em sua vida.

Kimura participou de diversas demonstrações de Bruce Lee no início da década de 1960 por algumas cidades da costa da California como San Francisco, Oakland, Los Angeles e principalmente em Long Beach, onde fez sparring com Lee e foi demonstrado o famoso soco de uma polegada.

Taky Kimura foi padrinho no casamento de Bruce Lee e Linda Emery em 1965 e foi também um dos três únicos a receber o certificado de instrutor qualificado de Jun Fan Gung Fu, os outros dois foram James Yimm Lee e Dan Inosanto. Kimura teria sido autorizado a ensinar o Jun Fan Gung Fu sob o lema de “manter os números baixos e a qualidade alta.” Até hoje, a única pessoa que recebeu um certificado de instrução de Taky Kimura foi seu filho Andy Kimura, que atualmente está à frente nas instruções técnicas da escola Jun Fan Gung Fu de Seattle auxiliado por Abe Santos. Taky Kimura teve a honrosa incumbência, ainda que dolorosa, de carregar o caixão de Bruce Lee no funeral em Seattle em julho de 1973. Os outros foram Dan Inosanto, Steve McQueen, James Coburn, Ray Chin e Robert Lee, irmão de Bruce.

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Bruce Lee tinha projetos para Kimura no cinema, que era uma forma de mostrar sua gratidão ao velho parceiro de tantos anos. Bruce já estava morando em Hong Kong e já era famoso em toda a Ásia quando telefonou para Kimura em Seattle confirmando sua participação no seu próximo filme que seria “The Game of Death” (O Jogo da Morte) depois de ter feito “The Way of the Dragon” (O Vôo do Dragão) em 1972. Kimura ficou relutante com o convite se dizendo desajeitado demais para participar de um filme, mas Bruce não lhe deu ouvidos, exigiu sua participação e prometeu lhe enviou as passagens. Kimura iria representar o guardião do segundo andar do templo no filme o Jogo da Morte (no projeto original). Ele seria mestre do estilo Louva-a-Deus (Praying Mantis). As cenas chegaram a ser filmadas, mas não foram localizadas e assim não foram usadas na versão de “The Game of Death” de 1978, ou no documentário de John Little, “A Warrior’s Journey” de 1999.

Mas Taky Kimura aparece em diversos outros documentários sobre Bruce Lee, como em “How Bruce Lee Changed the World” de 2009; “Bruce Lee in G. O. D.” De 2000; “The Path of the Dragon” de 1998; “The Life of Bruce Lee” de 1994; “The Curse of the Dragon” de 1993; e “Bruce Lee The Legend” de 1977.

Finalmente em 2009, aos 85 aos de idade, Taky Kimura recebeu o diploma de conclusão do Ensino Médio na Clallam Bay High School, em Clallam Bay, Washington. Na cerimônia Kimura se lembrou que em junho de 1942, ele havia recebido uma bolsa de estudos para cursar medicina na Washington State University e de repente, no mesmo dia, ele, sua família e mais algumas pessoas foram postos em um vagão de um trem antigo e foram transportados para o Campo de Internamento de Tule Lake, destinados aos nipo-americanos da California, próximo da fronteira com o estado de Oregon. Tule Lake foi o maior dos dez campos de realocação de guerra autorizado por uma ordem executiva do governo norte-americano, emitida em 19 de fevereiro de 1942, para deter pessoas de descendência japonesa em resposta ao ataque japonês de Pearl Harbour em 7 de dezembro de 1941. Tule Lake foi aberto em 26 de maio de 1942, chegou a confinar 18.700 pessoas e foi desativada em 28 de março de 1946. A família Kimura ficou detida por quatro anos e quando saíram não eram mais do que “sem teto” sem saber o que fazer ou para onde ir. Segundo o próprio Taky Kimura disse: “Ninguém nos daria um emprego ou alugaria um lugar para nós.” Ele e sua família foram para Seattle tentar a sorte onde finalmente abriram uma mercearia onde cujo porão se tornaria a primeira sede do Instituto Jun Fan de Kung Fu.

Taky Kimura estava psicologicamente e mentalmente quebrado quando conheceu Bruce Lee casualmente no campo de Beisebol da Universidade de Washington, ele tinha 36 anos e Bruce apenas 18 anos. Como observou Kimura: “Eu estava com a idade para ser seu pai, mas foi ele que se tornou uma espécie de pai substituto para mim. Quando comecei a aprender com ele, me olhei no espelho e passei a acreditar que eu também era um ser humano, então reconstruí todo o meu pensamento.”

Há um consenso que dentre todas as pessoas que se relacionaram com Bruce Lee, Taky Kimura é considerado a melhor de todas elas. Não porque era o melhor artista marcial, mas porque além de ser o mais antigo aluno e parceiro, foi realmente amigo de Bruce Lee e porque tinha (e tem) um excelente caráter. Desde 1964 Kimura assumiu seu papel de instrutor de Jun Fan Gung Fu (hoje, considerado Jeet Kune Do) em Seattle, permanecendo fiel ao seu trabalho até hoje com a assistência do seu filho Andy Kimura. Taky Kimura jamais aceitou receber alguma compensação por seu trabalho em nome de Bruce Lee e fielmente permaneceu zelador, para não dizer guardião, da sepultura de Bruce Lee por 30 anos e, é claro, cuidou também do túmulo de Brandon Lee desde 1993.

Em uma das várias cartas dirigidas ao amigo Taky Kimura por Bruce Lee na época em que era bastante assediado devido à sua fama crescente em Hong Kong e em toda Ásia, Bruce Lee declarava: “Você é o único em que posso confiar, você é o meu melhor amigo.”
Taky Kimura é um homem respeitado no círculo de admiradores e seguidores de Bruce, e ele é considerado um exemplo vivo de impacto positivo do que a filosofia de Bruce Lee produziu na vida das pessoas que o acompanharam ainda em vida ou após sua morte.

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Postado por: Vinícius Lee

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4 comentários sobre “Taky Kimura: O fiel guardião do legado de Bruce Lee

  1. Amigo, me sinto sinceramente honrado em ler este artigo!!! Parabenizo a você e a sua equipe por este maravilhoso site! Sou professor do estilo Wing Chun e me senti emocionado em ler um texto tão rico como este!!! Só tenho a agradecer por esta oportunidade!!!! Acompanho o seu site e serei um divulgador! Peço permissão para colocar estes textos na minha Fã page divulgando o seu link.

    Que Deus o abençoe!

  2. A honra é minha, meu amigo.
    Fico muito grato, seja sempre bem-vindo ao nosso blog e nossa fanpage. Sinta-se a vontade para a utilização dos textos e muito obrigado por divulgar! Desculpe pela demora.

  3. Solamente gracias a B.Lee y a usted por todos los aportes a mantener intacto el conocimiento, la difusión, el respeto, el valor o valores fundamentales en la humanidad, además de la tradición y por fomentar el acervo cultural acrecentando el poder de la mente y el cuerpo a través de la conciencia individual. OSH es mi mejor saludo y expresión. Excelente todo.

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